terça-feira, 6 de dezembro de 2016

"Humberto de Campos" - novo verbete da Enciclopédia Espírita Online


A Enciclopédia Espírita Online acabou de receber mais um verbete: "Humberto de Campos", contendo uma síntese biográfica do brilhante jornalista, escritor e político maranhense que, após a desencarnação, tornou-se um grande contribuidor da Doutrina Espírita como uma espécie de "Repórter do Além".

Entre as obras ditadas pelo Espírito Humberto de Campos, destaque especial para a excepcional Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho (veja aqui) — um clássico da literatura espírita.

Dois episódios também muito interessantes para o estudioso espírita e que envolve o memorável escritor: 1) ainda encarnado, Humberto de Campos foi um dos membros da Academia Brasileira de Letras que deu parecer favorável à obra psicográfica Parnaso de Além-Túmulo (acesse aqui— o primeiro livro publicado por Chico Xavier; 2) o processo judicial, movido pela viúva do escritor visando o reconhecimento da autoria espiritual e a cobrança dos direitos autorais das obras ditadas pelo Espirito ao médium espírita.

Por essas e outras é que vale a pena consultar a Enciclopédia Espírita Online e consultar o verbete "Humberto de Campos".

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Aborto: STF sinaliza legalidade de aborto até o 3° mês de gravidez


Esta semana tem sido realmente muito intensa. Além da tragédia da Chapecoense (veja nossa cobertura aqui), do clima político tenso no Congresso Nacional, com a polêmica votação das 10 medidas contra a corrupção e as emendas apresentadas por alguns parlamentares supostamente para corrigir arbitrariedades do judiciário, e do julgamento do Supremo Tribunal Federal de uma ação penal contra um padre católico acusado de discriminação religiosa (veja aqui a matéria completa), não ficamos alheios a mais um acontecimento que é de extrema importância para todos nós: uma decisão do STF que considerou não haver crime em aborto efetuado até o terceiro mês de gravidez.


O processo analisado referia-se a um habeas corpus solicitado em favor de cinco pessoas acusadas de terem praticado aborto ilegal. Os acusados eram funcionários e médicos de uma clínica clandestina, em Duque de Caxias, Rio de Janeiro, que acabou fechada pela Polícia fluminense.

O relator do caso, o ministro Luis Roberto Barroso, proferindo o seu parecer, declarou que "os artigos do Código Penal, que criminalizam o aborto no primeiro trimestre de gestação, violam os direitos fundamentais da mulher, que tem autonomia para fazer escolhas existenciais e tomar decisões morais a propósito do rumo de sua vida."



Barroso também se justificou afirmando que países democráticos e desenvolvidos, como os Estados Unidos, Alemanha, Canadá, França, entre outros, não consideram crime o aborto no início da gestação. Mas advertiu que esse entendimento não tem como objetivo disseminar a interrupção da gravidez e sim tornar o procedimento raro e seguro mediante a oferta de educação sexual e distribuição de contraceptivos.


O impacto desta decisão

Embora o STF não estivesse julgando o mérito em si do aborto, e sim um caso específico (o habeas corpus), esta sentença acaba representando mais uma sinalização da justiça brasileira em favor do aborto, a exemplo já de outras decisões dentro dessa mesma linha, por exemplo, os requerimentos para aborto de gravidez em que fique constatado ocorrência de microcefalia.

Acredita-se que essa decisão acabará influenciando o entendimento de outros juízes quando da análise de casos de aborto até o 3° mês de gestação.

Mas há gritos de revolta popular contra a decisão do STF. Alguns deputados e senadores manifestaram contrariedade a este julgamento dizendo que cabe apenas ao Legislativo formular leis, conceitualmente falando, sendo atribuição do Judiciário apenas zelar pelo cumprimento delas. Ativistas religiosos e de organizações de direitos humanos também lamentaram a conclusão deste caso.


Importância do tema

Temos aqui tratado da temática do aborto frequentemente. Em março de 2013 nós demos nota de uma manifestação pública da Associação Médica Espírita do Rio Grande do Sul em favor da vida e contra o aborto em casos diversos (veja a matéria aqui).

Em 2012, publicamos a excelente crônica "O aborto, o abandono e a roda dos séculos" assinada pelo nosso confrade Marcus Braga (veja aqui).

A questão fundamental discutida no STF (ainda sem o consenso absoluto) é quanto "O momento exato da concepção", que foi objeto de um post nosso em 2011, trazendo a palavra do médico espírita Dr. Sérgio Felipe de Oliveira em entrevista à Folha Espírita (Acesse aqui).



Aborto segundo o Espiritismo

Para a Doutrina Espírita a questão é bem clara: a única exceção à prática do aborto provocado é quando para preservar a vida corrente da mãe em vista de um eminente risco, ato esse que deve ser feito com responsabilidade e justeza das condições exigidas pelo quadro clinico. Eis a justificativa espírita: “É preferível que se sacrifique o ser que ainda não existe a sacrificar o que já existe”.

As questões 357 e 358 de O Livro dos Espíritos (baixe aqui em EPUB ou PDF) são esclarecedoras:
Que consequências o aborto tem para o Espírito?“É uma existência invalidada e que ele terá de recomeçar.” 
A provocação do aborto é um crime, em qualquer período da gestação?“Há crime sempre que transgredis a lei de Deus. Uma mãe, ou quem quer que seja, cometerá crime sempre que tirar a vida a uma criança antes do seu nascimento, por isso que impede uma alma de passar pelas provas a que serviria de instrumento o corpo que se estava formando.”
O Livro dos Espíritos, Allan Kardec - Questões 357 e 358


Também é válida a crônica "Aborto delituoso" de Emmanuel, o guia espiritual de Chico Xavier, que compõe o livro A Religião dos Espíritos:



Aborto delituoso
Comovemo-nos, habitualmente, diante das grandes tragédias que agitam a opinião. Homicídios que convulsionam a imprensa e mobilizam largas equipes policiais...
        Furtos espetaculares que inspiram vastas medidas de vigilância...
        Assassínios, conflitos, ludíbrios e assaltos de todo jaez criam a guerra de nervos, em toda parte; e, para coibir semelhantes fecundações de ignorância e delinquência, erguem-se cárceres e fundem-se algemas, organiza-se o trabalho forçado e em algumas nações a própria lapidação de infelizes é praticada na rua, sem qualquer laivo de compaixão.
        Todavia, um crime existe mais doloroso, pela volúpia de crueldade com que é praticado, no silêncio do santuário doméstico ou no regaço da Natureza...
        Crime estarrecedor, porque a vitima não tem voz para suplicar piedade e nem braços robustos com que se confie aos movimentos da reação.
        Referimo-nos ao aborto delituoso, em que pais inconscientes determinam a morte dos próprios filhos, asfixiando-lhes a existência, antes que possam sorrir para a bênção da luz.
        Homens da Terra, e sobretudo vós, corações maternos chamados à exaltação do amor e da vida, abstende-vos de semelhante ação que vos desequilibra a alma e entenebrece o caminho!
        Fugi do satânico propósito de sufocar os rebentos do próprio seio, porque os anjos tenros que rechaçais são mensageiros da Providência, assomantes no lar em vosso próprio socorro, e, se não há legislação humana que vos assinale a torpitude do infanticídio, nos recintos familiares ou na sombra da noite, os olhos divinos de Nosso Pai vos contemplam do Céu, chamando-vos, em silêncio, às provas do reajuste, a fim de que se vos expurgue da consciência a falta indesculpável que perpetrastes.
Emmanuel 



Que pena o Movimento Espírita ainda ser tão tímido e tão pouco ou quase nada influenciar nossos juízes e governantes!


quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Audiência Luz Espírita em novembro-2016


As estatísticas registradas pelo nosso sistema apontam que a audiência Luz Espírita em novembro de 2017 foi mais vez excepcional.

O nosso Portal foi visitada por mais de 45 mil usuários e o total de page views ultrapassou os 278 mil cliques.

Confira os destaques:




Os 10 livros mais acessados em nossa Sala de Leitura em outubro foram:

1 - BRASIL, CORAÇÃO DO MUNDO, PÁTRIA DO EVANGELHO
(Humberto de Campos) Francisco Cândido Xavier
2.954 visualizações


2 - A CAMINHO DA LUZ
(Emmanuel) Francisco Cândido Xavier
2.649 visualizações


3 - O LIVRO DOS ESPÍRITOS
Allan Kardec
1.641 visualizações



4 - TRANSIÇÃO PLANETÁRIA
(Manoel Philomeno de Miranda) Divaldo Pereira Franco
2.659 visualizações


5 - TERAPIA ESPÍRITA
Louis Neilmoris
1.708 visualizações


6 - NOSSO LAR
(André Luiz) Francisco Cândido Xavier
1.699 visualizações


7 - VIDA E SEXO
(Emmanuel) Francisco Cândido Xavier
1.679 visualizações


8 - O GRANDE ENCONTRO FILOSÓFICO
Louis Neilmoris
1.433 visualizações


9 - TÉCNICA DA MEDIUNIDADE
Carlos Torres Pastorino
1.430 visualizações


8 - NOSSOS FILHOS SÃO ESPÍRITOS
Hermínio C. Miranda
1.233 visualizações





Nas estatísticas do nosso Blog Espiritismo em Movimento, cuja audiência mensal foi de quase de 13 mil visitantes, as postagens mais acessadas no mês passado foram:


29 de nov de 2016, 5 comentários
3177
404
28 de jan de 2013, 9 comentários
351
20 de abr de 2013, 8 comentários
303
244
233
219
11 de nov de 2011, 2 comentários
212
206
201

Toda a equipe Luz Espírita agradece a todos pela confiança depositada e claramente demonstrada pela enorme audiência.


Pedimos ainda a todos que curtam e compartilhem nossas postagens para que mais e mais a nossa Doutrina Espírita possa ser divulgada.


quarta-feira, 30 de novembro de 2016

STF absolve padre católico da acusação de discriminação religiosa


O Supremo Tribunal Federal julgou nesta terça-feira 29 a ação penal movida pelo Ministério Público da Bahia contra o padre católico Jonas Abib, acusando-o de cometer o crime de discriminação religiosa, tomando como base o livro "Sim, sim, não, não - Reflexões de cura e libertação", de autoria do sacerdote, que, em defesa do Catolicismo, contém citações contrárias às práticas de Espiritismo, Umbanda, Candomblé e outros segmentos religiosos.

A decisão final do STF foi a de absolvição do padre. O relator do processo na suprema corte foi o Ministro Edson Fachin. Sobre o livro, ele declarou: "intolerante, pedante e prepotente", no entanto, aceitou o argumento da defesa de que ele se volta para a comunidade católica e que não "ataca pessoas, mas ideias", assim justificando seu voto de absolvição: "Ainda que, eventualmente, os dizeres possam sinalizar certa animosidade, não se explicita a mínima intenção de que os fiéis católicos procedam à escravização, exploração ou eliminação das pessoas adeptas ao espiritismo".

Desta feita, por 4 a 1, a acusação foi negada. Acompanharam Fachin os ministros Luís Roberto Barroso, Marco Aurélio Mello e Rosa Weber. O Ministro Luiz Fux foi o único a divergir, chamando a atenção para a necessidade de tolerância entre as religiões.

Em seu livro, Pe. Jonas Abib diz que, se no passado o demônio "se escondia por trás dos ídolos, hoje se esconde nos rituais e nas práticas do espiritismo, da umbanda, do candomblé e de outras formas de espiritismo". Além disso, diz que pais e mães-de-santo são "vítimas" e "instrumentalizados por Satanás". "A doutrina espírita é maligna, vem do maligno".

"O espiritismo é como uma epidemia e como tal deve ser combatido: é um foco de morte. O espiritismo precisa ser desterrado da nossa vida. Não é possível ser cristão e ser espírita. [...]. Limpe-se totalmente!", diz Abib noutra parte, que ainda recomenda aos católicos queimar e se desfazer de livros espíritas, bem como imagens de Iemanjá, apresentados como "maldição" para a pessoa e sua família.

A decisão do STF é absoluta e, portanto, encerra o processo.


Plenário do Supremo Tribunal Federal


O que diz a lei

O Ministério Público baiano, autor da ação criminal contra o Pe. Jonas Abib, baseou sua acusação no artigo 20 da Lei do Crime Racial, que assim reza:

LEI DO CRIME RACIAL


Lei nº 7.716 de 05 de Janeiro de 1989

Define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor.
Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)
Pena: reclusão de um a três anos e multa.(Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)
§ 1º Fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo. (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)
Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa.(Incluído pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)
§ 2º Se qualquer dos crimes previstos no caput é cometido por intermédio dos meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza: (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)
Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa.(Incluído pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)
§ 3º No caso do parágrafo anterior, o juiz poderá determinar, ouvido o Ministério Público ou a pedido deste, ainda antes do inquérito policial, sob pena de desobediência: (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)
- o recolhimento imediato ou a busca e apreensão dos exemplares do material respectivo;(Incluído pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)
II - a cessação das respectivas transmissões radiofônicas ou televisivas.
(Incluído pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)
II - a cessação das respectivas transmissões radiofônicas, televisivas, eletrônicas ou da publicação por qualquer meio; (Redação dada pela Lei nº 12.735, de 2012)
III - a interdição das respectivas mensagens ou páginas de informação na rede mundial de computadores. (Incluído pela Lei nº 12.288, de 2010)
§ 4º Na hipótese do § 2º, constitui efeito da condenação, após o trânsito em julgado da decisão, a destruição do material apreendido. (Incluído pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)

A defesa do acusado valeu-se do Artigo 5° da Constituição Federal de 1988, que trata "Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos", com ênfase nos incisos VI e VIII:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;  
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;


Analisando a decisão do STF

De fato, pela tal obra citada no processo, constata-se que o reverendo católico faz incitações contra o Espiritismo e contra outras crenças, como Umbanda e Candomblé. Tanto é que vários ministros do Supremo leram trechos do livro, acentuando sempre a "indelicadeza" do autor no trato com o pensamento alheio.

Realmente ficou configurado no livro do padre intolerância religiosa e inclusive certa violência moral, pela violação de consciência. Por outro lado, é válida a argumentação de que a lei constitucional assegura a liberdade de expressão religiosa e, no caso em questão, é legalmente justificável que o eclesiástico tenha feito uso desse direito para expressar a sua própria crença — o Catolicismo — e, com base na sua doutrina, combater "os inimigos de Deus e da salvação", pois que é dogma da igreja o "ardor missionário"; todo católico é convidado a pregar o Evangelho (segundo a interpretação da igreja) e combater o "mal". Como a doutrina católica considera que a mediunidade fora da igreja, que a prática espírita e que os cultos aos orixás são manifestações demoníacas e expressões do que eles julgam como anti-Cristo, logo, o Pe. Jonas Abib, membro do clero, não apenas se vê no direito de expressar-se contra essas "coisas do Diabo", como também se vê obrigado a fazê-lo, a fim de cumprir o seu vocacionado.

Portanto, como o acusado atacou as ideias religiosas e não diretamente a qualquer pessoa em particular, o processo passou a girar em torno de concepções doutrinárias, como se fosse possível julgar a doutrina católica — o que não seria plausível, pois toda religião tem o direito inviolável de constituir suas próprias crenças, não cabendo a ninguém, ainda menos o STF, apreciar a validade dessas crenças, enquanto elas não firam objetivamente à integridade do indivíduo. Em suma, o "crime" seria da igreja, não do padre.

O Catolicismo é uma crença legítima e espontânea, como qualquer outra religião. No âmbito religioso, seus fieis então podem se expressar livremente — como o fez o Pe. Jonas Abib. Seu livro não cerceia o direito das pessoas a buscarem outras crenças e, na prática, não causam qualquer prejuízo às demais correntes religiosas, uma vez que cada indivíduo tem a liberdade de escolher o que seguir no campo espiritual.


O que diria Kardec?

Em sua dura jornada na fundação e propagação do Espiritismo, Allan Kardec foi francamente atacado pela Igreja Católica e outros pensadores. A mediunidade, o Espiritualismo Moderno e mais ainda a Doutrina Espírita foram alvejados por zombarias e críticas ferrenhas. E não apenas no campo da discussão de conceitos doutrinários, mas efetivamente, como no caso do Auto de Fé de Barcelona (saiba mais aqui).


E qual foi a reação do codificador? Tolerância para com os intolerantes — mostrar a "outra face", no dizer do Cristo. Nada de "vitimismo"!

Além do mais, Kardec observou que quanto mais a Doutrina Espírita era atacada, difamada e zombada, tanto mais ela se expandia. As críticas dos adversários serviam exatamente contra os seus propósitos de seus ataques e se fizeram eficientes propagandas do Espiritismo.

"Certamente algumas pessoas esperam encontrar aqui uma resposta a certos ataques pouco respeitosos, dos quais a Sociedade, nós pessoalmente, e os partidários do Espiritismo, em geral, temos sido vítimas nos últimos tempos. (...) 
Quanto ao Espiritismo em geral, que é uma das forças da Natureza, a zombaria será destruída, como aconteceu contra muitas outras coisas que o tempo já consagrou. Essa utopia, essa maluquice, como o chamam certas pessoas, já deu a volta ao mundo e nenhuma diatribe impedirá sua marcha, do mesmo modo que outrora os anátemas não impediram a Terra de girar. (...)
Igualmente temos pouco a dizer quanto ao que nos toca pessoalmente; se aqueles que nos atacam — seja de maneira ostensiva, seja disfarçada —, imaginam que nos perturbam, perdem seu tempo; se pensam em nos barrar o caminho, enganam-se do mesmo modo, pois nada pedimos e apenas aspiramos a nos tornar úteis, no limite das forças que Deus nos concedeu. (...) 
Esperamos que nos prestem mais serviços do que prejuízos e nos façam economizar despesas com publicidade, porque não há um só de seus artigos — por mais espirituosos que sejam — que não tenha estimulado a venda de alguns de nossos livros ou não nos tenha proporcionado algumas assinaturas. Obrigado, pois, a eles pelo serviço que nos prestam involuntariamente. (...) 
O que queremos, antes de tudo, é o triunfo da verdade, venha de onde vier, pois não temos a pretensão de ver sozinho a luz; se disso deve resultar alguma glória, o campo a todos está aberto e estenderemos a mão a quantos nesta rude caminhada nos seguirem com lealdade, abnegação e sem segundas intenções particulares." 
Allan Kardec - Revista Espírita, Março de 1859: "Diatribes"

Em O Evangelho segundo o Espiritismo (acesse aqui em epub e pdf), Kardec reflete sobre as ações dos "inimigos do Espiritismo":

"De todas as liberdades, a mais inviolável é a de pensar, que abrange a de consciência. Alguém lançar maldição sobre os que não pensam como ele é reclamar para si essa liberdade e negá-la aos outros, é violar o primeiro mandamento de Jesus: a caridade e o amor do próximo. Perseguir os outros, por motivos de suas crenças, é atentar contra o mais sagrado direito que tem todo homem, o de crer no que lhe convém e de adorar a Deus como o entenda. Constrangê-los a atos exteriores semelhantes aos nossos é mostrarmos que damos mais valor à forma do que ao fundo, mais às aparências, do que à convicção. Nunca a abjuração forçada deu a quem quer que fosse a fé; apenas pode fazer hipócritas. É um abuso da força material, que não prova a verdade. A verdade é senhora de si: convence e não persegue, porque não precisa perseguir. 
O Espiritismo é uma opinião, uma crença; fosse até uma religião, por que se não teria a liberdade de se dizer espírita, como se tem a de se dizer católico, protestante, ou judeu, adepto de tal ou qual doutrina filosófica, de tal ou qual sistema econômico? Essa crença é falsa, ou é verdadeira. Se é falsa, cairá por si mesma, visto que o erro não pode prevalecer contra a verdade, quando se faz luz nas inteligências. Se é verdadeira, não haverá perseguição que a torne falsa. 
A perseguição é o batismo de toda ideia nova, grande e justa e cresce com a magnitude e a importância da ideia. A ira e a severidade dos seus inimigos são proporcionais ao temor que ela lhes inspira. Tal a razão por que o Cristianismo foi perseguido noutros tempos e por que o Espiritismo assim é hoje, mas com a diferença de que aquele o foi pelos pagãos, enquanto o segundo o é por cristãos. Passou o tempo das perseguições sangrentas, é exato; contudo, se já não matam o corpo, torturam a alma, atacam-na até nos seus mais íntimos sentimentos, nas suas mais caras afeições. Lança-se a desunião nas famílias, excita-se a mãe contra a filha, a mulher contra o marido; investe-se mesmo contra o corpo, agravando-se neles as necessidades materiais, tirando-se dele o ganha-pão, para reduzir pela fome o crente. 
Espíritas, não se aflijam com os golpes que lhes desfiram, pois eles provam que vocês estão com a verdade. Se assim não fosse, lhes deixariam tranquilos e não procurariam lhes ferir. É uma prova para a fé de vocês, pois é pela sua coragem, pela sua resignação e pela sua paciência que Deus lhes reconhecerá entre os Seus servidores fiéis, a cuja contagem Ele hoje procede, para dar a cada um a parte que lhe toca, segundo suas obras. 
A exemplo dos primeiros cristãos, carreguem a sua cruz com coragem. Creiam na palavra do Cristo, que disse 'Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, que deles é o reino dos céus. Não temam os que matam o corpo, mas que não podem matar a alma'. Ele também disse 'Amem os inimigos, façam bem aos que lhes fazem mal e orem pelos que lhes perseguem'. Mostrem que são seus verdadeiros discípulos e que a sua doutrina é boa, fazendo o que Ele disse e fez. A perseguição pouco durará. Aguardem com paciência o romper da aurora, pois que já rutila no horizonte a estrela d’alva." 
Allan Kardec - O Evangelho segundo o Espiritismo: Cap. XXVIII, item 51.

nos convida a orarmos por eles:
"Senhor, Tu nos disseste pela boca de Jesus, o Teu Messias: 'Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça; perdoem aos seus inimigos; orem pelos que lhes persigam'. E ele próprio nos deu o exemplo, orando pelos seus malfeitores.Seguindo esse exemplo, meu Deus, imploramos a Tua misericórdia para os que desprezam os Teus santíssimos preceitos, únicos capazes de promover a paz neste mundo e no outro. Como o Cristo, também nós te dizemos: 'Perdoe-lhes, Pai, que eles não sabem o que fazem'.Dá-nos forças para suportar com paciência e resignação, como provas para a nossa fé e a nossa humildade, seus escárnios, injúrias, calúnias e perseguições; isenta-nos de toda ideia de represálias, visto que para todos soará a hora da Tua justiça, hora que esperamos submissos à Tua santa vontade." 
Allan Kardec - O Evangelho segundo o Espiritismo: Cap. XXVIII, item 51.


Tivesse sido diferente a decisão do STF, muito provavelmente estariam hoje o Pe. Abib e os seus confrades católicos "vitimizando-se". A prisão do ex-acusado — conforme prevê a pena aos condenados por discriminação religiosa   tornaria o autor daquele livro um verdadeiro mártir católico e seus correligionários bem poderiam lançar sobre o Espiritismo e demais crenças a alcunha de algozes de mais um "santo da igreja".


Acreditamos firmemente que dentre os leitores da tal obra do Pe. Abib muitos acabaram interessando-se pelo estudo do Espiritismo — ainda que para contestá-lo — e, com isso, iniciaram o inevitável curso da iluminação espiritual, familiarizando-se com os primeiros conceitos da nossa doutrina.

Siga a igreja propagando os feitos do Diabo; sigamos nós, espíritas, propagando nossos conceitos de Sabedoria a Caridade.

Fontes: